quarta-feira, 12 de novembro de 2014

In móvel

O agora não é o que pára sempre.
Agora para sempre não será.
O que foi,
o que é,
instantejá:

indescritível,
intransferível,
inguardável.

Mas ''in'' é do que vem de dentro.
Do que entra e se instaura,
se mantém no minuto que já passou.
Se entranha no ser
que não mais
sou.



                                   

segunda-feira, 7 de julho de 2014

(Des)sincronia

Nossos relógios dessincronizados.
Os corações batem,
um pro outro,
nos tempos trocados,
errados.
Parece até que escuto tua voz dizendo:
‘’Duas almas vibrando dessincronizadas um dia ressonam’’.
Um dia,
num momento qualquer,
quando nem mente nem coração esperarem
quando um couber dentro do outro
do jeitinho que o outro é
sentindo no ritmo que o outro sente.
Aí as batidas taquicárdicas coincidem
e a mais bela das sinfonias se forma.
ganha corpo
e faz morada
no aperto do peito
e da alma.



terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Quem dera

Quem dera chegasse
e se desarmasse.
Se despisse
e até chorasse.
Quem dera se permitisse,
se libertasse.
Sem medo, sem angústia nem dor.

Mas não.
Sem dó ou piedade
se vai, se arma, se veste, se prende,
se esconde.
Cada vez mais
se amarra
aos ais.

Tenta fugir, mas não sai de si.
Encontra-se preso,
num corpo estranho
que teme explorar.
Tem medo do mar
e de amar.

Mantém-se distante,
olha só de longe.
Admira, se encanta,
mas nem pensa em entrar.
Quem entra se molha,
se coloca à mercê da vontade das águas.
Ele não pode, é fogo:

Chama acesa que controla a si mesma.

Amaromar?
Só no sonhar,
só bem de longe,
só pra guardar
no olhar.










Voz

Chega de leve.
Como o suave bater de asas
de pássaros que enfeitam o pôr do sol
trazendo o entardecer.
E livre,
me leva.
Parece paz.
Parece guardar um mundo inteiro:
Sagrado, intocado,
dentro do peito.

Leve.
Tão leve.
Revela e releva.
Parece voz.
Flutua.
Entra pelos ouvidos alheios
e faz morada no coração dos desavisados.

Voz sim, a tua.
Que por penetrar no mais fundo do meu ser
já me pertence.
Nossa voz,
sai de ti
e afunda em mim.
Se apossa, me toma por inteiro.
Me consome,
e me transforma.

Vivo voz.
Viro a voz.
Essa que sempre nua e crua
é tão minhatua,
tão cheia
de nós.





quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Do meu querer

Eu quero me escrever em você.
Quero virar palavra
e me grafar no teu corpo.
Mas não feito tatuagem, que vem de fora.
Quero de dentro pra fora.
Quero surgir na tua pele
como um pelo, que brota.
Ou um sinal de nascença,
que tua vó tentou limpar achando que era sujeira,
mas que nunca saiu.
Quero fazer contigo
o que as flores fazem aos jardins.
Quero te fazer florescer,
e flores sendo,
florescer em ti.








quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Do que cala e (con)sente

Do que cala.
Do que silencia a ansiedade, os medos, dúvidas e incertezas.
Daquilo que consente.
Das pessoas que te entendem.
Que decifram teus silêncios
e silenciosamente te fazem superar qualquer medo.
Pessoas que te calam.
Com o olhar.
O toque.
O cheiro.

Dos encontros de almas.
De tudo o que se sente,
e por sentir não mente.
É latente.
É feito flor brotando,
feito chuva caindo,
feito criança nascendo,
invade o mundo.

É tudo o que vem sem ressalvas.
Tudo que não passa sem deixar marcas.
Tudo que é inteiro,
intenso.
E não para.




segunda-feira, 8 de julho de 2013

O peso e a leveza

Em suspensão,
a pairar no ar,
todo o sentir do mundo
que não sabe onde repousar.
Nossas contas de amores, nossas dores.
Nossas esperanças, medos e cansaços.
Tudo junto, um amontoado.
O peso de tudo que se guarda dentro do peito
a flutuar.
Porquanto de dois modos é a vida:
O peso e a leveza,
brincando na gangorra,
fingindo se equilibrar
dentro de nós.



terça-feira, 2 de julho de 2013

Vento lento

Fechado. Fechado. Fechado.
Eu queria quebrar as paredes, derrubar as muralhas,
soltar todas as amarras que colocastes em ti mesmo.
Queria entrar nesse teu mundo.
Fechado. Fechado. Fechado.
Tão teu, tão só teu.
Nesse mundo tão teu
eu queria ser céu, ser Sol,
pra trazer o dia.
Queria aberto, queria entregue, inteiro.
Queria que teu mundo tão teu fosse nosso.
Queria ter a nós em qualquer mundo.
Desse jeito assim, leve.
Vento lento que parece ler o que tem dentro da gente.
Mas ganhas do vento
Lento. Lento. Lento.
Não sente o tempo,
não o vê passar feito furacão,
arrancando casa do chão,
nos engolindo sem nem pensar em perdão,
sente não.
E eu fico aqui,
eu que sinto tanto tudo.
O tempo passando
e feito furacão me arrancando do chão.
Levando embora todas as certezas,
me deixando sem saber
se um dia ainda entro nesse teu mundo
Fechado. Fechado. Fechado.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Tua leveza

Leve,
palavra de ordem.
Ode à palavra de sorte.
Leve,
palavra que te define.
Flutua no ar.
Ar sempre leve.
Ao ar livre.
Preso no ar
de tanto amar.


Dissentir

Ir embora.
Sair.
Sumir.
Deixar de ser.
Dissentir.

Já não sentir a ti.
E sem ti em mim,
tudo teu nada no nada.
Sentimento não mente.
Só não mais sente.

Sente só o gosto da efemeridade,
do acabar, do já não ser.
Dissentir,
pra sentir de novo.
Novamente diferente, mas sempre presente.
Se perdendo no ciclo vicioso
de sem ti
sentir.




sábado, 11 de maio de 2013

Das sombras e sobras

À frente sombras
As sombras do futuro, assombram-na 
Pra trás o que sobrou
As sobras do passado
Perturbando e confundindo
Tornam-se presentes

E ela que não sabe se menina ou se mulher
Se passado, presente ou futuro
Ela, ser transitório, mutante
Escolhe fechar os olhos e sentir
Sente tudo
Passado, presente e futuro

E lembra:
‘’Quem tenta prever o futuro não o vê chegando, nem passando’’
Para de temer, não foge das sombras, encara-as
Enfrenta-as com a luz que a vida ensinou-a a ter
Abraça as sobras do passado,
acolhe-as dentro de seu ser
E vive o presente,
mesmo com todas as dúvidas, inseguranças e o não saber
Apenas vive
Sente e vive
E espera que isso baste



sexta-feira, 19 de abril de 2013

Sobre o que fica na memória

É que esquecemos. Esquecemos de quase tudo. Do que é dito, do que é feito e até do prometido. Mesmo que só por instantes. Mesmo que voltemos a lembrar. Em algum momento esquecemos. Nos perdemos do que passou. E é nesses momentos, nesses lapsos de esquecimento que lembramos que não conseguimos esquecer, nem ao menos por instantes, o que sentimos, o que fizeram-nos sentir. Somos o que sentimos. Somos o que nos invade, o que arde, o que acalenta e o que conforta. Somos de dentro pra fora. Feito flor brota do chão, os sentimentos brotam em nós, no solo do coração, e vão se expandindo, ganhando terreno, tomando o corpo todo. O sentir de cada um é a lindeza mais pura e plena que se pode carregar. É a flor que não se colhe, pra que nada fique incompleto, deixe de si ser por inteiro. A flor viva, com as raízes bem fundas e fortes na terra, exalando, transbordando beleza, é o que fica na memória. 




Olhos nus: olhos

Olhar.
Troca.
Tropeço.
Queda.
A queda do meu tu em ti e do teu eu em mim.
Caem
Um dentro do outro.
A vida de um nos olhos do outro.

Olhos.
Só o olhar desvenda tudo. Diz tudo.
Olho no olho, ser dentro de ser.
Mergulham, navegam, mapeiam, descobrem.
Despem um ao outro.
Retiram qualquer coberta, amarra, medo, máscara
.
.
.

Encontram-se.
Reencontram-se.
Nus.
Olhos nus:
Olhos.


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Do barulho que a falta faz


E em algum momento, em meio ao meio barulho habitual, fiquei presa no silêncio. O silêncio da falta, da espera, de uma resposta que não chega. Silêncio que sufoca, daqueles que fazem tanto barulho que não se ouve nem o bater dos corações. Silêncio... Pleno, intenso.  Me enche de nada, esvazia meu peito de tudo que importa. Pra reinar absoluto. Só. Calado. Até meu coração ter força pra gritar, romper as amarras. Grito no silêncio e silencio o vazio da alma.


Terra e ar


De riso à bela. Bela flor. Risobelaflor. Acho que é isso, eu queria me ver descrita em tuas palavras, fotografada pelas lentes sorridentes dos teus olhos cor de mel. Por inteiro. Sem máscaras, amarras ou qualquer limitação que deturpasse, maculasse a plenitude do toque, do cheiro, do meu tu e do teu eu. E eu tive, tive o que quis e mais, e pelo mais eu quis ainda mais, ousei querer que ficasse, permanente ente de mim. Mas não, não podes, és pássaro. Daqueles que voam rasgando o alaranjado do céu ao entardecer. Tua essência é grandiosa demais, livre demais, grita pelo mundo afora, tudo aflora. E eu, feito flor, fico sempre presa ao chão, com as raízes cada vez mais fundas e fortes na terra. Eu sou terra, tu és ar. Flor e pássaro, encontram-se no beijo do beija-flor, e é lindo, momento encantador. Mas é o tipo de encontro que não perdura. É sublime. Foi sublime. E só. Eu sou terra, tu és ar.  



quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Permita-se (re)amar


Ela tem essa mania esquisita de poetizar o fim. Não, na verdade creio que ela poetiza o pós-fim. Depois que algo acaba ganha uma beleza estarrecedora, perde os defeitos, vira puro encanto. Torna-se muito melhor do que de fato foi, ou ainda é. Isso porque ela não costuma aceitar finais, ao menos não os que não partem dela. Se partirem, quando ninguém olha ela dá um sorriso aliviado e suspira um cruel “já foi tarde”, bem baixinho. É essa necessidade, essa ânsia pelo controle de si e do outro que ainda a levarão à loucura. Ela precisa sentir-se querida, ou tudo desanda. Gosta é do drama, da dor que faz arte, que cria mundos. Se prende ao que faz mal, ao que machuca tudo que mora no aperto do peito. Não é que goste de sofrer, só tem medo de entregar-se à felicidade e vê-la despedaçar-se outra vez. Feito espelho que se quebra em vários pedaços, deixando ao desastrado responsável anos e anos de azar. Talvez seja só esse medo que se sobrepõe à coragem, paralisando, fazendo-a deixar de viver, de si ser por inteiro. Logo ela que tem tanta maravilha dentro de si, logo ela que brilha de tanta luz que carrega em seu ser. Devia deixar ir o que já foi, mesmo que doa, mesmo que pareça que ainda pode ser. O que era antes não devia ser sempre, ou simplesmente seria. E o que nos cerca no hoje pode esconder muita coisa boa quando não se olha com carinho. Encantadoras descobertas, novas idades, novos amores. Estão sempre à espreita, esperando que o seu coração se deixe tocar de novo, que se abra, junto com seus lindos olhos cor de mar. Permita-se (re)amar.






Minha paixão pelo teu olhar

Meus olhos, tão novos, já viram algumas coisas
Se encantaram com umas, fecharam para outras
Vislumbraram simplórias felicidades
Mas aí encontraram os seus
Olhos que guardam sorrisos
E quiseram ficar abertos, olhando fixo
Admirando mesmo
Até deixarem de existir








domingo, 20 de janeiro de 2013

Peraí, Menina


Peraí, menina
Que os amores chegam e se vão
Mas o coração continua
Destroçado ou não
Ainda bate, pulsa

Peraí, menina
Acalma esse teu coração
Que anda sempre tão cheio, quase transbordando
Desse jeito vais sufocar com tanto sentimento
Deixa dessa tua teimosia
No aperto do teu peito não cabe o sentir de todo o mundo
Mal cabe o teu

Menina, tu que carregas o peso do azul celeste nos olhos
E a luz do Sol no sorriso
Deixa de imediatismo
Que coisas de amor são finezas
Flores a brotar nos jardins dos que cultivam com paciência
Serenos sonhadores






(In)raizar


No começo foi consciente e inconsequente, de propósito mesmo.
Depois foi comodismo, preguiça de expulsar,
deixei  ficar e ficou.
Fincou o pé e criou raízes, fundas e fortes demais.
Tanto que quando a preguiça passou
meus braços foram fracos pra remover.
Meu coração já estava envolto e sustentado por elas,
se fossem arrancadas ele se despedaçaria junto.
Deixei  ficar e ficou.
Fincou.





Solar


Sabe quando parece que você carrega o Sol dentro do peito?
Tá sempre quente e iluminado
A luz é tanta que transborda
Ultrapassa as fronteiras corpóreas e ganha o mundo
Tudo é claro, imaculado
É assim que eu me sinto hoje
E é como quero me sentir sempre